A nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários amplia a participação dos representantes dos trabalhadores na prevenção dos riscos psicossociais e no combate ao adoecimento mental nas instituições financeiras. Assinado em 9 de setembro pelo Comando Nacional dos Bancários e pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), o acordo prevê o envolvimento da representação dos trabalhadores na elaboração, implementação e acompanhamento do Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais.
Segundo reportagem publicada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, a medida fortalece a atuação sindical na identificação de fatores relacionados à organização do trabalho que podem provocar sofrimento psíquico e adoecimento. Entre as ações previstas estão o mapeamento dos riscos presentes nos ambientes profissionais e a definição de medidas de prevenção e combate ao assédio moral.
A iniciativa está relacionada às mudanças na Norma Regulamentadora 1 (NR 1), que incluem o gerenciamento dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A proposta é incorporar a saúde mental às políticas de prevenção das instituições financeiras, considerando as condições em que o trabalho é realizado.
Organização do trabalho e adoecimento
De acordo com o Sindicato dos Bancários, a conquista foi resultado da Campanha Nacional de 2026, marcada por 13 rodadas de negociação entre representantes dos trabalhadores e dos bancos. Durante as discussões, o movimento sindical destacou a relação entre o adoecimento mental e fatores como pressão permanente por resultados, competição excessiva, cobranças abusivas, falta de apoio das chefias, sobrecarga de trabalho e mudanças organizacionais frequentes.
Para Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, a participação dos trabalhadores é essencial para identificar os problemas e construir soluções efetivas.
“Não existe prevenção efetiva da saúde mental sem discutir as condições em que o trabalho é realizado. A nova CCT garante que os trabalhadores tenham participação nesse processo e possam contribuir para identificar os problemas e construir soluções”, afirmou Neiva, em declaração publicada pelo Sindicato.
Pesquisa aponta impactos na saúde mental
Os resultados da Consulta Nacional dos Bancários 2026, apresentados pelo Sindicato, reforçam a dimensão do problema. Entre os quase 55 mil trabalhadores que participaram da pesquisa, 40% afirmaram ter utilizado medicamentos controlados nos 12 meses anteriores. Além disso, 73% avaliaram que o ambiente de trabalho nas instituições financeiras prejudica a saúde mental.
A preocupação constante com o trabalho foi relatada por 67% dos participantes, enquanto 59% mencionaram cansaço e fadiga. A desmotivação apareceu em 47% das respostas, seguida por crises de ansiedade ou pânico, citadas por 42%, e dificuldades para dormir, inclusive nos fins de semana, apontadas por 39%.
Os dados reforçam a importância de medidas preventivas que considerem não apenas o acompanhamento dos trabalhadores adoecidos, mas também os fatores presentes na organização do trabalho que podem contribuir para o sofrimento psíquico.
A participação dos representantes dos trabalhadores no gerenciamento dos riscos psicossociais busca fortalecer esse processo, ampliando o espaço para identificar situações de risco e propor medidas de prevenção nos ambientes profissionais.
Fonte: https://protecao.com.br/noticias/geral/nova-convencao-coletiva-amplia-participacao-dos-bancarios-na-prevencao-de-riscos-psicossociais/

