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NR-1: A importância de times multidisciplinares da gestão dos riscos psicossociais

Por Ricardo Murtada

Nunca se falou tanto em uma Norma Regulamentadora como se tem falado no novo texto da NR 01, com a inserção dos riscos psicossociais na gama de riscos ocupacionais considerados na gestão de riscos das empresas brasileiras.

Um dado que chama atenção é certa falta de conhecimento da área de saúde e segurança por aqueles que se propõem a trazer soluções no âmbito dos riscos psicossociais. Isso aparece no tom quase milagroso que os questionários de avaliação psicossocial tomaram em propagandas e eventos sobre saúde mental no trabalho. Apesar de serem ferramentas importantes e válidas no levantamento ambiental desses riscos, não podem ser tratadas como a solução última desse conjunto de riscos.

Outro ponto que deve ser considerado é que muitos estão buscando uma fatia desse bolo, mas esquecem um elemento central para a segurança e saúde ocupacional: sua necessária interdisciplinaridade. Segurança e saúde não é uma área formada por um único profissional, mas por uma diversidade de profissionais que fornecem olhares complementares sobre a gestão de riscos, assim como, das ações executados para a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais.

As empresas precisam estar atentas à necessidade da multidisciplinaridade, não só na avaliação, mas também na gestão desses riscos. Psicólogos isoladamente não vão conseguir trazer uma perspectiva ampla, assim como técnicos, engenheiros e médicos não vão, sozinhos, ter uma perspectiva aprofundada da saúde mental dos colaboradores. Além dos profissionais técnicos[1] já citados, é necessária a participação ativa dos times de Recursos Humanos, lideranças, CIPA e outras áreas.

E devemos incluir aqui as assessorias de saúde e segurança que devem garantir em seu corpo técnico a mesma multidisciplinariedade no atendimento as empresas que não possuem um SESMT constituído.

É um desafio que todos devemos encarar com seriedade. A primeira atitude a ser tomada é a constituição de uma Comissão para gestão dos riscos psicossociais, com atores de diversas áreas. O segundo passo é observar o histórico da empresa em saúde mental e outros fatores que compõem esses riscos, como controle de atestados, absenteísmo, incidentes, acidentes entre outros levantamentos necessários. Nos locais com ambulatórios, pode ser levantada a busca por medicações, queixas de dor de cabeça e dados que ajudem a construir uma radiografia da empresa.

Com esses dados em mãos, podemos descrever os fatores mais proeminentes, identificar suas causas e organizar um primeiro planejamento de ações, sem deixar de considerar que a principal diferença dos riscos psicossociais em relação aos demais riscos ocupacionais é a quase impossibilidade de eliminá-los completamente.

Fonte: https://protecao.com.br/mercado-produtos/nr-1-a-importancia-de-times-multidisciplinares-da-gestao-dos-riscos-psicossociais/